PortuguêsEnglishEspañol
  

Por Laert Gouvêa

Olá meus amigos, nesta fase do ano, de agosto para o final, quando chega a época da bruma e depois o inicio dos CBs de verão, as vezes até embutidos nessas próprias brumas ou fumaça, é que a grande maioria dos acidentes costumam acontecer. Época em que se aumentam os “visumentos” e os veteranos já a batizaram como “Época da Bruxa”. Infelizmente, esse ano perdi mais um amigo para a Bruxa, que apesar de experiente, cedeu para a tentação do “visumento” e foi pego por ela.

Na verdade o “visumento” nunca vai acabar porque sabemos que não é ele que mata, e sim a forma como ele é feito e aceito pelos pilotos. Um Comandante não é pago para voar em condições marginais, ele é pago para dizer não. É por isso que leva o nome de Comandante, porque cabe a ele a autoridade de dizer como e quando o voo deve se desenvolver. E é essa autoridade que quando é posta a prova, perde infalivelmente para a Bruxa ao ser cedida pelo Comandante. É o Comandante que tem por obrigação por limites ao voo em nome da segurança, essa é sua função básica. E para isso tem que ter autoridade, experiência e conhecimento, as qualidades que lhe dão o direito de ser chamado de Comandante. Numa empresa aérea um copiloto muitas vezes tem até mais horas de voo e habilidade que seu Comandante, entretanto, o Comandante tem a prerrogativa dada pela empresa, devido seu conhecimento e vivência dentro da instituição, para impor os limites, para isso ele é pago e é isso que se espera dele.

Agora que já sabemos pra que serve um Comandante, podemos concluir que os acidentes em sua grande maioria vem acontecendo por falta de Comando. E porque eles têm falhado tanto? Falham quando lhes falta uma das três qualidades básicas:

Autoridade, que quando dada tem que se saber usar, não se deve jamais abusar dela, mas é imprescindível que se a imponha imediatamente ao menor sinal de risco em relação ao voo. Uma tomada de decisão retardada em alguns poucos segundos em momentos críticos é o suficiente para uma catástrofe. Então Comandantes, não percam tempo na hora da decisão pensando em como vão justificar a mesma, simplesmente a tome.

Experiência, habilidade adquirida com o acúmulo de horas de voo. Neste pacote estão incluídos todos os procedimentos que envolvem as operações, não só a capacidade de voar o equipamento. Experiências anteriores garantem agilidade e segurança às futuras, sempre.

Conhecimento, ao se aceitar a condição do cargo, não se pode mais alegar ignorância de informações, regras e procedimentos que envolvam suas operações, você tem que se informar, se manter atualizado e preparado. Você até pode dizer que não aceita o cargo, mas matar todo mundo porque arremeteu para o lado errado é injustificável (já vimos este filme também).

Para encerrar, gostaria de lembrar duas coisas: primeiro que este texto é dirigido a qualquer um que tenha um brevet, não ache que porque você só voa um Paulistinha no tráfego ao final da tarde, isso não diga a respeito a sua operação. E finalmente lembrar que só um piloto vivo e desempregado está apto a um novo emprego, os outros não preenchem mais currículos. Bons voos.

 

Compartilhe

Posts Relacionados

Social media & sharing icons powered by UltimatelySocial

ATENDIMENTO

Segunda a Sexta das 9h as 16h
contato@skyscience.com.br

Todos os Direitos Reservados