FOKKER-100 – Desacreditado pelos usuários e amado pelos aviadores

Este bravo avião conhecido por ser um excelente cumpridor de missões, foi fabricado até 1996 pela Fokker Technologies, uma empresa aeronáutica holandesa fundada por Anthony Fokker, em 1912 na...
Decolagem da aeronave Fokker-100 - Foto por: Ricardo Beccari

Decolagem da aeronave Fokker-100 – Foto por: Ricardo Beccari

 

Este bravo avião conhecido por ser um excelente cumpridor de missões, foi fabricado até 1996 pela Fokker Technologies, uma empresa aeronáutica holandesa fundada por Anthony Fokker, em 1912 na Alemanha, ainda com o nome de Fokker Aviatik. Em 1919, mudou-se para a Holanda onde iniciou uma história de sucesso com inúmeros modelos conhecidos. O primeiro deles foi o Fokker Spin, um monomotor bastante rudimentar, seguido do já mais elaborado, Fokker Eindecker, este chegou a ser utilizado pelos alemães durante a Primeira Grande Guerra. Entretanto, o mais famoso nesse período veio a ser o Fokker DR.I, o triplano imortalizado pelo Barão Vermelho, neste mesmo conflito. Na década de 20, se iniciou a grande capitalização da empresa com a fabricação dos primeiros trimotores, que contribuíram no pós-guerra para o início a aviação comercial.

No Brasil, o primeiro modelo da Fokker mais conhecido foi o F-27, bastante utilizado nos voos regionais por algumas empresas aéreas em substituição ao lendário DC-3. Em seguida se utilizaram do Fokker F-50, uma versão melhorada do F-27, mas que teve vida curta devido a chegada dos jatos regionais. Ao perceber essa tendência o Comandante Rolim, que comandava a TAM em franca expansão na época, encomendou e formou no Brasil a primeira frota deste que é o nosso tema, o Fokker F-100.

Lembro-me bem de um dia de setembro de 1990, em que o Cmte. Geraldo Medeiros me convidou para conhecer os dois primeiros F-100 da TAM, que haviam acabado de pousar em Congonhas, o PT-MRA e o PT-MRC. Fiquei surpreso de ver a tecnologia embarcada daqueles aparelhos, não ficavam nada a dever a qualquer equipamento da Boeing, Airbus ou qualquer outra. Pelo contrario, até a sua aposentadoria na TAM, haviam coisas como descida automática por exemplo, que ele já fazia e os Airbus NG ainda não fazem. O FMS dele era monocromático ainda, mas em recursos igualava-se a qualquer FMGS dos Airbus de hoje. Depois tive a sorte de voar este avião como tripulante, e tem coisas nele como o radar, sensor de gelo, despachabilidade e outras peculiaridades que ainda me faz considerar esse aparelho como um dos melhores que já operei, podendo ser comparado a qualquer outro avião ainda em fabricação.

Foto por: Ricardo Beccari

Em relação a operação era uma máquina ideal para a nossa realidade, onde o tempo médio de voo entre as capitais de todo o país é de uma hora de voo. Nos voos mais longos, como Manaus ou Belém, pousava com pouquíssimos minutos de diferença em relação aos jatos maiores, o que era compensado pela economia de combustível. O número reduzido de passageiros, 108, era também compensado pela versatilidade das operações, uma vez que operava em pistas curtas e não necessitava de equipamentos de apoio no solo (escadas e esteiras de bagagem). Essas características faziam do F-100 um excelente “feeding” para os jatos maiores e para os voos mais longos e, em altas temporadas ajudavam inclusive nos voos internacionais de reforço aos países vizinhos mais próximos.

Não há dúvidas de que este avião foi um dos grandes responsáveis pelo crescimento da TAM e da Avianca no Brasil, só não sendo utilizado até hoje devido ao alto custo de manutenção e dificuldade para aquisição de peças para reposição, causados pelo fechamento da Fokker Technologies em 1996, por decisão de sua então controladora Daimler Benz Aerospace. Após o fim da empresa, a Stork BV comprou os direitos de fabricação e manutenção do Fokker e chegaram a fazer estudos para um relançamento do Reffok, um F-100 com algumas melhorias nas asas, nas packs e nos motores, o que faria desse Fokker “NG”(new generation), um concorrente de peso a Embraer e Bombardier. Tal estudo tinha inclusive como opção uma fábrica em Catalão, GO, no Brasil, mas esta ideia não vingou e poucos anos depois, em 2015, a britânica GKN adquiriu também esta empresa.

Fokker-100 – Foto por: Ricardo Beccari

Ao mesmo tempo em que a fabricante passava por essa turbulência pesada, no Brasil, após o trágico acidente de São Paulo, somados aos de Birigui e Campinas, sendo os dois últimos coincidentemente no mesmo dia, estes aparelhos ficaram muito mal vistos pelo público em geral. Devido a esta imagem abalada, a Avianca, ainda tentou empregar o nome de “F-28”, na tentativa de descolar o nome de seus aviões do fabricante, o que pouco adiantou. Assim o Fokker-100, esse “money maker” das empresas aéreas se viu fadado ao fim de suas operações no Brasil, realizando seu último voo pela Avianca no dia 24 de novembro de 2015.

 

Para nós aviadores, esse foi mais um daqueles aviões que deixarão saudades, deliciosos de serem voados e diferentemente do passageiro, nos quais nos sentíamos extremamente seguros e confiáveis. Não há piloto de Fokker-100, que não considere esse um dos melhores aviões por ele pilotado.

 

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