Governo quer atrair até dez aéreas estrangeiras para operar rotas domésticas

Técnicos do Ministério da Infraestrutura farão um road show pelo mundo em busca de novas companhias

BRASÍLIA -O governo fará uma série de apresentações pelo mundo em busca de novas companhias aéreas para operar voos domésticos no Brasil. O road show de técnicos do Ministério da Infraestrutura mira em até dez empresas estrangeiras com o objetivo de aumentar a competição e reduzir o preço das passagens no país. Após a crise da Avianca , o mercado brasileiro ficou concentrado em Gol , Latam e Azul .

O movimento ocorre depois da abertura do mercado nacional para estrangeiras, aprovado recentemente pelo Congresso . O governo busca principalmente empresas de baixo custo ( low cost ) porque acredita que o preço das passagens é o principal entreve para o desenvolvimento do setor.

Comparação: Preço do bilhete aéreo sobe o dobro do rodoviário

Há conversas com a americana Jet Blue, a mexicana Volaris, a chilena Sky Airline, a norueguesa Norwegian, a irlandesa Ryanair (a mais famosa low-cost do mundo), a GulfAir, do Bahrein, entre outras companhias. Além disso, a espanhola Globalia deve começar a operar voos domésticos em 2020, sob a marca Air Europa. Os destinos ainda não foram anunciados.

Espaço limitado

É o próprio governo quem está buscando as empresas. Isso só foi possível graças à derrubada da exigência de que as aéreas tivessem 80% de capital brasileiro para operar no país. Outra alteração importante foi a permissão para a cobrança de bagagem despachada. Não incluir esse benefício na passagem é um dos pontos que possibilitam às empresas de baixo custo oferecer passagens mais baratas.

Esse movimento é destacado pelo governo nas conversas, nas quais também promete maior segurança jurídica para os operações no Brasil.

Segundo dados do setor, o Brasil tem uma média de 0,4 voo per capita por ano, enquanto em mercados maduros esse número é de duas viagens. O governo também aborda a melhora das condições de infraestrutura aeroportuária do país, com o programa de concessão de terminais para a iniciativa privada. Até 2022, o objetivo é leiloar todos os aeroportos administrados pela Infraero.

Fontes do setor avaliam, porém, que a capacidade de atração de novas empresas deve ser limitada. Além disso, a instalação de uma empresa no país não é simples. Demanda ampla infraestrutura, com contratação e treinamento de pessoal. Um executivo lembra que “não se acha avião em prateleira”.

O diretor-executivo da Associação Latino-americana de Transporte Aéreo (Alta), Luis Felipe de Oliveira, vê espaço para mais uma ou duas aéreas no mercado nacional:

Se você analisa o mercado americano, que é um mercado dez vezes maior que o nosso, tem cinco grandes companhias aéreas. Não vai ter espaço (no Brasil) para dez empresas entrando no mercado. A gente tem que ser consciente em relação a isso.

Aéreas defendem abertura

Executivos das grandes companhias que operam no Brasil defenderam ontem, durante congresso da Alta, em Brasília, a abertura do mercado. O presidente da Latam, Jerome Cadier, disse ser uma questão de tempo e de estabilidade regulatória a vinda de novas empresas:

A partir do momento que uma determinada rota tem duas opções, as companhias serão muito agressivas tentando capturar passageiros.

Para o presidente da Gol, Paulo Kakinof, a última barreira para ampliar a competição no país foi eliminada com a abertura do setor ao capital estrangeiro:

Que venham os competidores, que haja mais competição, desde que esses competidores estejam no mesmo ambiente regulatório.

Fonte: O Globo

Compartilhe
error
Categorias
Panorâmico EconômicoPanorâmico Econômico - Matérias
Sem comentários

Leave a Reply

*

*

POSTS RELACIONADOS

EnglishPortugueseSpanish
Wordpress Social Share Plugin powered by Ultimatelysocial