Nada justifica o retrocesso

Será de vital importância para aviação brasileira, que o próximo governo, ao iniciar seu mandato em janeiro de 2019, tenha um mínimo de consciência do desmonte e retrocesso pelo...

Será de vital importância para aviação brasileira, que o próximo governo, ao iniciar seu mandato em janeiro de 2019, tenha um mínimo de consciência do desmonte e retrocesso pelo qual vem passando a aviação geral nos últimos anos.

Somos um país de 8,5 milhões de quilômetros quadrados, que dependeu sempre basicamente da aviação para seu desenvolvimento, integração e assistência. Um país deficiente em infraestrutura, sem estradas, ferrovias e ainda estrategicamente dependente dos aviões para uma retomada do crescimento.

Não é mais possível convivermos com essa mentalidade socialista retrógrada que vê aviação como “brinquedos de ricos”.

A aviação é sim em sua essência, uma ferramenta útil e indispensável para o desenvolvimento de qualquer país, e ainda mais fundamental para uma nação com as nossas dimensões e carências estruturais. Nada justifica um empresário viajando como empreendedor ou turista, pagar mais pelo pouso e pernoite de uma aeronave do que ele paga pelo seu próprio pernoite em um hotel com todos os serviços inclusos.

Nada justifica vacinas, remédios, suprimentos e mercadorias de primeira necessidade navegarem por dias em embarcações ao invés de, poucas horas em aviões por pura ganância de uma equivocada política de estado, ou falta dela melhor dizendo.

Nada justifica famílias carentes terem que se desfazerem de seus bens, se endividando além das possibilidades, simplesmente para contratar um voo de socorro imediato para um hospital distante. Isso também pelas altas taxas e o escorchante preço do combustível que só é o dobro do preço do automotivo pela mesma ganância e ignorância desta equivocada política.

Nossa aviação geral está agonizando, basta olhar para os pátios dos aeroportos e comparar com 20 anos atrás para confirmar este triste fato. Eu conheci diversas cidades turísticas pelo Brasil juntando o útil (fazer horas de voo) ao agradável (turismo), bastava ter pista e um bom hotel. Nunca foi uma maneira barata de se fazer turismo, mas era viável, nos finais de semana podia se optar entre almoçar uma truta em Monte Verde ou uma paelha em Ubatuba.

Os finais de semana prolongados eram sempre com o Nordeste na proa, bons tempos! Hoje é infinitamente mais racional pegar um voo em Guarulhos para o exterior do que ir pilotando até algum lugar fora de “terminal”.

Pois é, se não tivermos um governo menos ganancioso e minimamente mais inteligente, vamos continuar procurando justificativas para o nosso continuado retrocesso.

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Laert Gouvea
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