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Muitos passarão pela vida sem experimentar, sem saber se gostam ou não. Os que o fazem pela primeira vez, normalmente apaixonam-se e dali em diante não perdem a oportunidade de acompanhar um piloto nas suas aventuras aéreas.

Dependendo do grau de contaminação poderão pretender mais do que simplesmente “andar de avião” passivamente. Poderão querer eles mesmos ser os agentes e proporcionar a si próprios, além do prazer de estar la no alto, a satisfação de conduzir a aeronave. Alguns podem tornar se “ratos de hangar” que são os apaixonados pelo voo, mas sem condições financeiras para pagar um curso de pilotagem. Vivem nos aeroclubes e pequenos campos de pouso à cara de um piloto que os leve para um voo e, pela insistência, por vezes se tornam pilotos. Os mais abastados matriculam-se numa escola e em pouco tempo, estarão curtindo o raro prazer que sentem aqueles que quase se igualam aos pássaros.

Os ultra leves, pequenas avionetas que surgiram na década de 80, tornaram o voo mais popular, de mais fácil acesso ao grande público, talvez pela sua simplicidade de operação e pela proliferação dos “sítios de voo” por eles utilizados.

A grande quantidade destas maquininhas, concentradas numa mesma pista, gera um intenso tráfego aéreo que possibilita a sua localização por algum curioso. Basta seguir por terra os ultra leves para se achar o seu “ninho” e dai conseguir um voo é rapidinho. Não raro, após um voo panorâmico, temos um novo aluno matriculado na escola do clube.

Para muitos um prazer, para a maioria um ato banal, mas para uns poucos o “fim do mundo” algo perigosíssimo, reservado aos “malucos”, a ultima coisa que fariam na vida.

Qual será a razão para tão diversos sentimentos em relação a uma atividade hoje tão comum e estatisticamente tão segura?

A primeira experiência, ou a única em alguns casos, como naquela citação “a primeira impressão é a que fica”, é fundamental para alguém gosta ou não do avião. Quando esta “aventura” é feita numa aeronave pequena “num voo panorâmico”, por exemplo, alguns pilotos, maus pilotos, diga se de passagem, fazem um do “voo de batismo” uma verdadeira sessão de torturas para o passageiro que, ignorante em aviação, muitas vezes fica achando que “aquilo” é normal em todos os voos e jamais voltará a sentar num avião.

O “voo de batismo” pode ser realizado em qualquer “objeto voador”, seja ele avião, helicóptero, planador ou os mais comuns nos dias atuais: ultraleve, asa-delta, paraglider e mais recentemente, o para motor.

Obviamente, aqueles que procuram o voo livre com asa-delta ou paraglider para se iniciar na atividade aérea não podem ser qualificados como “medrosos” e para eles nunca haverá o “trauma do primeiro voo”.

Existe toda uma técnica a ser usada na condução do “voo de batismo”, principalmente quando se percebe que o passageiro esta mais tenso que o normal.

O receio de voar decorre do “medo do desconhecido” ou da total ignorância sobre o assunto. O passageiro não sabe o que esperar do voo e se aquilo que esta acontecendo é normal ou não. Se esta ansiedade não for dissipada até o final do voo o trauma será profundo e duradouro.

Uma pequena explicação descrevendo o que será feito, “brifim”, no jargão dos aviadores, ajuda bastante a amenizar esta ansiedade. Se o passageiro souber antecipadamente o que vai acontecer durante cada fase do voo, o medo do desconhecido será bem reduzido.

Às vezes eu uso a técnica de decolar com o ultraleve, fazer um circuito de tráfego e pousar. Volto então para a cabeceira da pista e durante o táxi vou falando o que aconteceu e que repetiremos a decolagem para dar um passeio até a praia. Invariavelmente, no segundo voo, o passageiro já está bem mais descontraído e acaba gostando do voo.

Quando o “batismo” é feito num avião comercial, como passageiro numa viagem, a impressão já é totalmente diferente, pois o próprio tamanho da aeronave não permite aquela “sensação de estar voando” que é tão mais intensa quanto menor for a máquina.

As condições meteorológicas influem demais na aceitação prazerosa do primeiro voo. Numa viagem com data marcada, o piloto não pode fazer muita coisa para evitar o desconforto causado pela turbulência e a má impressão que da uma chuva e nuvens cobrindo o céu. Mas num voo panorâmico, quando se pode escolher o dia e a hora, é completamente desaconselhável realiza-lo se as condições não estiverem adequadas, principalmente se o candidato apresentar sintomas de ansiedade.

A experiência do piloto e a sua tranquilidade antes e durante o voo também tem uma parcela de responsabilidade no comportamento do passageiro. Imagina um piloto suando frio, com as mãos crispadas sobre o manche, e você ao seu lado para sua primeira experiência aérea!!

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