O voo dos anjos

Talvez o verbo adequado seja “pairar”, quando observamos um beija-flor sugando o mel das flores. Leonardo da Vinci, desenhou a sua interpretação e criou a figura de um enorme...

Talvez o verbo adequado seja “pairar”, quando observamos um beija-flor sugando o mel das flores.

Leonardo da Vinci, desenhou a sua interpretação e criou a figura de um enorme parafuso, tipo “saca-rolha”, apontado para o céu, que deveria girar pela força humana empurrando o ar para baixo, causando uma espécie de efeito solo tipo um colchão de ar.

Com a força humana seria impossível, não havia motores nesse tempo e o projeto simplesmente esboçava uma explicação.

Muitos outros buscaram explicar, mas só com o aperfeiçoamento do motor a explosão o projeto se tornou possível.

No começo do século vinte, logo após os voos dos pioneiros Santos Dumont, irmãos Wrigth e outros, Juan de La Cierva (Espanha) começou os seus ensaios com asas rotativas ao invés de asas e acabou inventando o “Auto-Giro”, máquina voadora parecida com o Helicóptero, porém, ainda não conseguia “pairar”, voava a partir de uma velocidade mínima.

Enfrentou sérios problemas mecânicos, aerodinâmicos e de balanceamento e acabou resolvendo um deles, quando esqueceu frouxa a conexão das pás dos rotores e com a folga elas se movimentavam durante o giro, diminuindo e eliminando uma enorme vibração que sempre ocorria.

Essa vibração se dava por causa da diferença de sustentação entre a pá do rotor que avançava  e a pá do rotor que recuava.

Os Alemães por volta da II Grande Guerra Mundial chegaram próximo do atual “Drone” de quatro conjuntos de rotores, mas faltava um controle computadorizado para controlar os quatro ao mesmo tempo com diferenças sutis de potência.

O mistério só se tornou viável, quando um tal de Igor Sikorsky (Ucraniano de Kiev, nacionalizado Norte-Americano), desenvolveu um helicóptero que tinha um pequena hélice traseira chamada “Rotor de Cauda” com a finalidade de evitar que o helicóptero girasse em sentido contrário ao rotor principal.

Com o “Rotor de Cauda”, esse efeito indesejável foi controlado e o projeto foi em frente, permitindo que a máquina voasse tanto no vôo pairado quanto em deslocamento.

Essa concepção de um rotor principal grande e um rotor de cauda pequeno, resolveu o problema e até hoje usam essa configuração.

O helicóptero  levou muitos anos para chegar no que é atualmente, agregando soluções, aperfeiçoadas uma a uma.

Diferente do avião, o helicóptero é um mecanismo complicado e muito sofisticado, permitindo voar com um conjunto rotativo de asas móveis, que modificam a sua posição durante todo o giro, variando no passo, avanço e recuo e flaping que é uma espécie de balanço tipo gangorra.

Em suma, é um milagre da mente humana para voar como os anjos.

Se tornou muito seguro, embora funcionando muito próximo dos limites.

As faixas de variação são muito estreitas, por exemplo, a rotação dos rotores não pode cair mais que cinco por cento.

O peso e o Centro de Gravidade CG tem que estar dentro dos limites.

Com todo o desenvolvimento desde o inicio, tudo isso ocorre naturalmente e hoje faz parte do dia a dia, cortando os céus das grandes cidades.

Porém, voar para os humanos não é natural, senão o homem teria nascido com asas.

O avião se aproxima mais dos pássaros e voa de forma mais natural

mesmo sem motor, como os planadores. Já o helicóptero é um maravilhoso conjunto de peças mecânicas girando e gerando forças destrutivas que são controladas por vários artifícios como contrapesos e efeitos aerodinâmicos.

Todo piloto tem que conhecer a sua máquina no todo, mas o piloto de helicóptero tem que conhecer profundamente a alma e o cheiro da máquina, sentindo-a a cada momento, sabendo o que fazer em segundos diante de qualquer anomalia ou falha, sob pena de ir “pairar” com os anjos, caso demore ou não saiba direito o que está fazendo.

 

Texto de Cmte Siqueira

 

 

 

 

 

 

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