Opinião pública levanta preocupação sobre a união entre Boeing-Embraer

Quatro deputados brasileiros solicitaram à justiça federal que impeça a Embraer de formar duas joint ventures com a Boeing. A Embraer rejeita a tentativa dos membros do Partido dos Trabalhadores...
Boeing e Embraer juntando forças - Arte William Lima

Quatro deputados brasileiros solicitaram à justiça federal que impeça a Embraer de formar duas joint ventures com a Boeing. A Embraer rejeita a tentativa dos membros do Partido dos Trabalhadores como uma reação “natural” a suas transações propostas – mas não uma barreira para a conclusão dos negócios.

 

Por William Lima

Parte do que é apresentado pelos deputados brasileiros em relação ao acordo firmado, tem relevância, no tocante da preocupação da manutenção dos empregos gerados pela Embraer e também, quanto a transferência de tecnologia à Boeing, porém há que se ressaltar, a ameaça do mercado global, no campo da aviação, tende a ser maior e mais feroz com a união entre Bombardier e Airbus.

Alguns dos comentários feitos pela opinião pública, é que a empresa teria mais valor do que os US$ 3,8 bilhões acordados, mas levando-se em consideração o valor de vendas anuais da Embraer, esse valor representa metade do total de vendas da companhia. Em tese, é um valor que representa os 80% negociados da companhia, mas que podem ser revistos até o fechamento do acordo.

O acordo prevê também a área responsável pelo desenvolvimento do novo avião de transporte e reabastecimento, KC-390, desenvolvido para substituir os KC-130 Hércules, usados pela FAB. De olho no mercado internacional, a Boeing tem interesse no projeto, pois além de atender as necessidades de um cargueiro para o governo americano, ele poderia concorrer com a Airbus com seu modelo A-400M, expandindo o leque de negócios das com duas companhias.

Os clientes parecem ter abraçado o acordo. Em uma era de fornecedores cada vez mais poderosos, a capacidade da Embraer de reduzir os custos de produção de uma nova família de jatos regionais a reengenharia é limitada sem a alavancagem de mercado oferecida pela Boeing. Com o seu único concorrente – o antigo CSeries da Bombardier – agora sendo vendido como a família Airbus A220, a gama superior de produtos da divisão comercial da Embraer enfrenta a aniquilação.

Se essas são as razões mais óbvias para concluir o acordo, restam questões importantes sobre como essa parceria funcionará. Como a Embraer manterá intacta sua força de trabalho de 4 mil engenheiros? Qual é o destino do negócio de jatos executivos, que está excluído das propostas de aquisição? Qual é o papel da Boeing em relação à joint venture de defesa proposta – e como ela protegeria a capacidade do governo brasileiro de preservar sua soberania sobre a tecnologia militar local?

Os políticos brasileiros tem razão em levantar certas questões quanto a junção das duas companhias. A Embraer foi privatizada em 1994, e sua criação, pelo governo brasileiro, foi 1969 desenvolvendo tecnologia e novas habilidades de grande importância para o país.

Essa transação tem enfrentado questionamentos também por parte da opinião pública, o que gera mais desconforto na negociação. O maior reflexo disso, são os comentários gerados em redes sociais, por parte de apaixonados por aviação, empresários e políticos. O deputado federal, Carlos Zarattini teorizou que os acordos entre Boeing e Embraer, seria um truque da gigante americana, para se apropriar de tecnologia e habilidades industriais para enfrentar o mercado Global.

Há que se ressaltar que a gigante americana trabalha em diversos segmentos, como aeroespacial, militar e civil e sua receita atual de vendas ultrapassa os US$100 bilhões, enquanto a empresa brasileira tem um volume de vendas anual na ordem de US$6 bilhões.

Embraer – Fábrica em São José dos Campos – Arquivo digital

Fonte: FlightGlobal

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