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Derivado dos incansáveis Hughes, o Schweizer reaparece disposto a abalar o mercado de asas rotativas. Para falar dos novos Schweizer 300C e 300CBi, é preciso lembrar dos anos 50, mais precisamente de 1956, quando a empresa norte americana Hughes lançou no mercado o modelo 269, que mais tarde passaria a ser o H-300, chamado por nós carinhosamente de “trezentinho” e precursor de uma dinastia de tradição entre as asas rotativas.

Texto por Laert Gouvêa

Por trás do sucesso dos atuais modelos, está toda experiência do velhos Hughes obtida graças a décadas de bons serviços prestados em mais de 60 países e ao acúmulo de alguns milhões de horas voadas. Somente o exercito norte americano atingiu a marca de 20 milhões de horas em 800 helicópteros.

Esta larga experiência resultou em diversas alterações de projeto visando melhorar e modernizar a maquina cada vez mais, chegando ao que ela é hoje: um helicóptero robusto, simples, seguro e com baixo custo operacional. Em 1983, a Schweizer Aircraft Corporation comprou da Hughes os direitos de construção do helicóptero. Mais tarde, a Sikorsky comprou esses direitos e hoje ele é fabricado pela Schweizer RSG.

Agora vamos apresentar o Schweizer 300CBi. Ele é uma versão simplificada e mais econômica do 300C, dirigida principalmente a um mercado em expansão no mundo inteiro – as escolas de pilotagem de helicópteros. Este exigente mercado procura por equipamentos de baixo custo de manutenção, fortes, confiáveis e de boa qualidade de voo. O Schweizer só perde para a concorrência no item custo de aquisição. Mas, com a entrada no mercado do 300CBi esta diferença caiu bastante e se colocada na ponta do lápis, constata-se que ela facilmente se dilui nos primeiros meses da operação.

Anatomicamente correto

A fuselagem do 300CBi é construída em tubos de aço, formando uma estrutura central que suporta todos os componentes do helicóptero. A cabine é ampla e feita de material acrílico e alumínio, com seu 1,30 de largura é bastante confortável para dois ocupantes. Apertando um pouco é possível transferir o piloto para o lado esquerdo e acomodar até três pessoas.

Os assentos, anatomicamente corretos, são fixados sobre a estrutura de honey comb que garante a proteção dos ocupantes em caso de pousos forçados. O tailboom é uma estrutura monocoque em alumínio por onde passa o eixo de transmissão e a haste de comando do rotor de cauda.

O grupo motopropulsor é impulsionado para um motor Textron Lycoming HIO-360-G1A de quatro cilindros que lhe fornece 180 HP a 2.700rpm com injeção e refrigeração a ar. As transmissões tanto do rotor principal como de cauda, são operadas através de sistema de correias e polias. Este sistema conta com uma embreagem de roda livre, permitindo que os rotores girem em auto-rotação mesmo com o motor parado ou travado.

O rotor principal (Naca 0015) é tripá, totalmente articulado, o que proporciona um voo mais suave com menos vibrações. Localizado na extremidade esquerda do tailboom está o rotor de cauda (Naca 0014 modificado) bipá de passo variável; do lado oposto, o estabilizador horizontal e um pouco a frente na parte inferior o vertical, ambos de alumínio.

O trem de pouso é composto por esquis tubulares e fixado na seção central da estrutura do helicóptero. O conjunto é dotado de dois amortecedores hidráulicos tipo “poppet” de cada lado, com a função de absorver os choques dos pousos e auxiliar na prevenção de ressonância no solo.

No lado esquerdo da parte traseira externa da cabine, um tanque de 35,2 US gal (133 litros) garante autonomia de 4,5horas. Um tanque do lado direito pode ser instalado como equipamento opcional.

O painel de instrumentos localizado no centro e à frente dos assentos funciona alimentado por uma corrente de 24 volts. Na versão básica é entregue com altímetro, velocímetro, bussola, indicador de temperatura do carburador, tacômetro do motor/rotor, indicador de pressão de admissão, liquidômetro, indicador de temperatura da cabeça dos cilindros, temperatura e pressão de óleo, amperímetro horímetro, VHF e um transponder.

 

Das Kleine Wunder

 

Depois de conhecer a intimidade dessa máquina pude compreender melhor meu amigo Flemming, um experiente piloto de helicópteros que após voar o 300CBi para nos dar suas impressões o chamou de DKW, aquele carrinho com motor de dois tempos, fumacento que andava pelas ruas na década de 60. Não se tratava de nenhuma comparação tecnológica, mas apenas de uma alusão à maneira carinhosa com que o povo alemão se referia ao carro – Das Kleine Wunder – que em bom português quer dizer: A Pequena Maravilha. Ele voou e gostou muito.

Na verdade, um outro amigo que voou e percebeu o potencial desta maravilha foi o comandante Rodrigo, que ao perceber o crescimento do mercado brasileiro e as excelentes qualidades do Schweizer, trouxe para o Brasil a representação exclusiva destes aparelhos.

Além da formação de pilotos, o 300CBi vem sendo bastante utilizado em transporte pessoal, de valores, para fazer fotografia e reportagens aéreas. E se compararmos a quantidade de aeronaves comercializadas (20 unidades) em um ano e meio de vendas, com os números da concorrência (60 unidades) em mais de 10 anos no mercado, podemos prever com facilidade qual equipamento que estará formando os pilotos brasileiros do início do próximo milênio.

Realmente, esta máquina não tem nada a ver, tecnologicamente, com os DKW, mas que é uma pequena maravilha, isso é!

Foto por Laert Gouvêa

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