PortuguêsEnglishEspañol
  

 

Por Ivan Nunes Siqueira “Chumbo”
Ilustração: Ricardo Beccari

 

A sala de briefing era escura, o ar condicionado central a deixava sempre fria, assemelhava-se a uma sala de aula, mas sem as janelas.

Na verdade, eram quatro salas de briefing, uma para cada esquadrilha:

A Vega, a Antares, a Sirius e a Castor.

A nossa era a Vega.

Uma única luz focava um púlpito sobre o deck de madeira, com um grande quadro negro ao fundo.

Sobre o púlpito, ficava uma prancheta com a escala de voo, que mudava a todo momento devido as condições meteorológicas, disponibilidade de pilotos e aviões que ficavam em pane.

Havia também um quadro na porta de entrada da sala, onde ficavam os nomes dos pilotos e o números (prefixos) dos aviões disponíveis, que eram preparados pela manutenção ainda na madrugada, tudo em tarjetas de plástico.

Essas plaquinhas eram colocadas no quadro, quando os alunos saíam para o voo, identificando o nome do piloto, o horário e o prefixo do avião.

Acordávamos as quatro horas, fazíamos o nosso café da manhã as quatro e trinta para chegarmos pouco antes das cinco no hangar, ainda no escuro e com o gosto de café na boca.

Ficávamos esperando em meio a uma conversa um pouco nervosa, tanto empolgante quanto ansiosa.

As cinco em ponto, era aberta a sala de briefing, entrávamos em silencio com o coração na boca, aguardando a escala de voo ser lida pelo “Tenente Casimiro”, escalante da esquadrilha Vega.

Casimiro era um sujeito bom, um tanto duro, sério e com um bigode tipo “Charles Bronson”, tinha o cabelo sempre penteado, embora espetado, ria pouco e estava sempre praguejando, preocupado com a escala de voo que toda hora mudava.

Voava muito e tinha a marca da máscara de oxigênio impressa no rosto.

Embora sempre bravo, fazia de tudo para nos ajudar.

Logo após a leitura da escala de operações, o comandante da esquadrilha Vega, “Capitão Klug”, falava e ai relaxávamos.

O “Klug” era o nosso herói.

Grande piloto, parecia um gigante naquele pequeno palco, sua missão era difícil, transformar Cadetes (alunos) em Aspirantes Aviadores da Força Aérea em apenas um ano.

A Força Aérea, naqueles dias, estava fazendo experiências através de um novo currículo aplicado à formação da nossa turma na Academia.

Tínhamos voado somente cerca de 20 horas no primeiro ano, logo que chegamos à AFA, tendo em seguida sido mergulhados num curso baseado na Engenharia do ITA por dois anos, só voltando aos estudos relacionados ao voo no quarto ano.

Não tínhamos voado quase nada, a diferença entre o avião do primeiro ano, o “T23 Uirapurú“ para o avião do quarto ano o jato “Cessna T37C” , simplesmente era abissal.

Nós éramos a cobaia desse arrojado plano e assim como tal, nos sentíamos ansiosos e assustados.

O Capitão Klug era um “Ás”, nosso ídolo, andava com as mangas do macacão de voo arregaçadas, sempre pensativo.

Quando chegava de algumas viagens de instrução com o jato T37C nos finais de semana sem movimento algum de aviões, fazia um show de acrobacias a baixa altura sobre a pista de pouso antes de pousar.

Assistíamos boquiabertos, extasiados das janelas dos nossos alojamentos no Corpo de Cadetes perto da pista de pouso.

Aquelas acrobacias eram um colírio para os nossos olhos e um carinho para os nossos sonhos, nos dando a força necessária para suportar a dura vida de um Cadete da Aeronáutica, estudando, voando e sendo cobrado a cada minuto.

O show aéreo do “Klug” nos dava a energia que faltava, reforçando a nossa convicção e vocação.

A vida era muito difícil, instável, era possível ser desligado em voo em uma semana.

Bastava “baixar” a moral e não suportaríamos a pressão, como muitos não suportaram.

Começamos no primeiro ano da AFA com 320 cadetes e se formaram apenas 83 ao final do curso.

Com três voos avaliados considerados “insuficientes” ( nota 3 de 1 a 10), iríamos ao “Conselho de Voo” com possível desligamento do curso.

Os instrutores eram bons, o avião moderno e avançado, usado até pela Força Aérea Americana, tudo adequado, menos nós, que após poucas horas de voo tínhamos passado tanto tempo confinados a uma sala de aula, estudando.

O curso estava atrasado devido a chuva e para recuperar o tempo perdido, os alunos que estavam mais adiantados, voando “solo”, foram escalados aos sábados e domingos.

Assim, ficava somente um instrutor de plantão na Sala de Briefing, coordenando as saídas dos alunos conforme a escala de voo.

Nesse Domingo tinha amanhecido totalmente nublado e o “Casimiro” (o tal do bigode de Charles Bronson) fora escalado como coordenador e estava lá com o bigode torcido para baixo.

Vale ressaltar que, quando estava zangado o bigode torcia e ele ficava mudo.

E se não bastasse, ao mesmo tempo estava ocorrendo um churrasco no CTG (Centro de Tradição Gaúcha) e pelo jeito ele queria ir,  mas tinha que ficar cuidando de nós até o ultimo pousar em segurança.

Não sei se ele era gaúcho, mas parecia.

O tempo passava e as condições não melhoravam, os voos iam sendo cancelados, um a um os cadetes iam sendo dispensados ao vencer o horário limite de decolagem.

Meu voo era o último e estava previsto para o meio dia e eu, permanecia na porta do hangar, olhando para o céu.

Vez ou outra, entrava na sala, olhava a escala que ia diminuindo com os voos sendo cancelados e ia chegando perto do Casimiro, que não falava nada.

Na verdade, eu queria fazer uma pergunta para ele, mas não tinha coragem.

Eu estava louco para perguntar:

-POSSO IR EMBORA?

Eu não perguntava, ele me olhava em silencio com olhar “desanimado” e não dizia nada.

Eu tentava imaginar no que ele estava pensando:

“A essa hora no CTG eu poderia estar todo “piuchado”, fazendo a “dança das facas”, mas estava aqui, sentado em frente a escala de voo, cuidando de um punhado de marmanjos”.

O telefone então tocou…

Embora com o céu todo encoberto, a visibilidade horizontal estava boa e o “Campo Fontenelle” estava aberto  para operações VFR (Voo com referencias visuais).

A responsabilidade agora era toda do Casimiro em me “soltar” sozinho no espaço aéreo.

Nós tínhamos cerca de dez horas de voo no jato Cessna T37C e estávamos fazendo os primeiros voos solos.

Não sabíamos nada de IFR (voo por instrumentos) e para complicar, o T37C tinha que voar entre 20.000 e 30.000 pés de altitude para alcançar uma hora e vinte de autonomia mais dez minutos de reserva.

Ele não se conteve.

Levantou-se e disse:

– Novinho, vamos dar uma olhada no tempo e saímos rumo ao pátio.

O céu parecia um lençol branco de ponta a ponta, a 1.500 pés da nossa cabeça.

A hora prevista para o meu voo não tinha acabado ainda e ele falou:

…Vamos esperar mais um pouco…

E voltamos para a sala.

Na penumbra da sala gelada, ele não falava nada, nem eu.

Não havia revista ou sequer um radio para escutar.

Eu continuava tentando imaginar os pensamentos dele.

Pela expressão de irritado, ele deveria estar pensando no churrasco dos gaúchos, a essa hora deveriam estar fazendo concurso de “Poesia dos Pampas “, falando das Coxilhas, enquanto a costela assava no fogo de chão.

E eu ali… na sua frente…naquela penumbra fria.

Meia hora depois ele falou:

-Novinho, vamos dar mais uma olhada.

E fomos.

Na porta do hangar, as condições continuavam as mesmas e então, voltamos para a sala.

Ele não falava nada, nem eu.

Comecei então a prestar atenção no barulho do ar condicionado, deveria ter alguma coisa solta na tubulação.

O ar acondicionado me deixava nervoso.

Achei melhor continuar tentando adivinhar os pensamentos dele.

A essa hora, “os Gaúchos” deveriam estar tirando uma lasquinha da costela para experimentar.

Na verdade, não sabia o que ele pensava, mas a sua expressão ficava mais feia a cada minuto.

Minha hora estava chegando, ou voaria ou iria embora.

Eu já estava com o saco tão cheio, que estava torcendo para cancelar o voo.

Caso eu fosse dispensado, ainda haveria tempo para pegar o meu fusca branco equipado com tala larga, rodar 280 Km até a casa da minha namorada, dar-lhe um “amasso” e voltar por volta da meia noite com os testículos doendo.

No limite do meu horário na escala de voo o Casimiro levantou-se:

-Novinho, vamos dar mais uma olhada.

…e lá fomos!

Como dois pinguins.

Havia alguma diferença na nuvem “stratus” que cobria todo o céu.

Um buraco azul estava passando sobre a nossa cabeça.

Então ele murmurou:

…Vai abrir, Novinho!

…Sai correndo, se equipa e decola em 10 minutos para a área de instrução que o tempo vai abrir.

E… se não abrir, você volta!

Tá com medo?

Respondi:

…De jeito nenhum!

Comigo pensava:

…Medo é  o _ _ _ _ _ _ _!

E ele ainda completou:

…Não vai fazer merda! Hein?

E eu saí correndo.

Entrei na sala de equipamento de voo ofegante, o sargento que estava dormindo me atendeu meio tonto.

Peguei o paraquedas, capacete e saí quase voando para o pátio dos aviões, não poderia perder o horário limite da minha decolagem.

O pátio estava cheio de aviões, todos iguais.

E o meu?

Passei correndo entre as duas linhas enfileiradas de T37C, olhando um a um.

Para variar, o meu era o ultimo da segunda fila.

Lá estava ele, reluzindo a cor de prata.

Ele era lindo, abri a capota elétrica com um botão na lateral da cabine, fiz a inspeção externa correndo, subi na nacele me sentindo um Ás da Segunda Guerra Mundial, me amarrei, corri o check-list e iniciei a partida da primeira turbina.

…Starter 30 segundos.

…Combustível em “Idle”.

…Ignição em ON.

…Olho na temperatura.

e… pronto para a segunda turbina.

Que barulho lindo!

Aquilo era um sonho.

Como poderia a Força Aérea deixar um garoto com poucas horas de voo sair sozinho num avião a jato de milhões como aquele?

Realmente era um sonho.

Eles deveriam estar loucos.

Mas as Forças Aéreas são assim mesmo, formadas por uma mão de obra jovem e empolgada, que é forjada no fogo como uma espada.

Ainda ofegante, chamei a torre de controle, pedi a autorização para o inicio do táxi e segui rumo à cabeceira da pista.

Embora com aquela pouca experiência, eu me sentia muito seguro.

A Força Aérea tinha me ensinado muito bem.

Eu só não sabia voar por instrumentos (IFR) ainda.

Alinhado na cabeceira, acelerei as duas turbinas vagarosamente.

Tudo dentro dos parâmetros.

Todos os ponteiros nos limites.

O avião tremia… e eu fazia força com os pés nos freios para mantê-lo parado.

Sensação boa! Parecia um cavalo bravo… ou melhor dois.

Aliviei a pressão nos freios e ele começou a correr.

O mundo a volta passava cada vez mais rápido ate eu tirá-lo do chão, rodando o jato nas rodas.

Nesse momento tudo ficou calmo.

Era como se eu estivesse entrando numa outra dimensão.

As arvores, os canaviais, o Rio Mogi, tudo passava suave debaixo das minhas asas.

De repente, não eram mais as asas do avião, mas as minhas asas.

Eu estava voando, como se o meu ser tivesse sido fundido com o avião num mesmo corpo, meio metálico, meio humano.

Uma espécie de pégasus metálico, assim me sentia.

Nesse momento, eu entendia perfeitamente a mitologia grega.

Na cabine, só um zumbido duplo das turbinas.

Saindo do trafego  sobre a Cachoeira das Emas, me sentia livre no espaço.

Mais certo seria dizer: um “Semi-Deus”.

Mas, eu ainda era humano!

Não conseguia subir além de 1500 Ft. (500 Metros) devido a camada de nuvens baixas, a 250Kts (quase 500Km/H) eu passei sobre Porto Ferreira, tomando o rumo de São Carlos, minha área de instrução.

Não conseguia subir e o combustível queimando.

…Assim o querosene não vai durar nem uma hora e eu tenho que voar uma e vinte.

Comecei a procurar o buraco azul no céu o qual tinha visto antes e nada.

Para onde teria ido?

Olhei para a esquerda na direção de Araras, deveria estar por lá.

Como não tinha ninguém voando, tomei aquela direção e segui feito um rojão aceso a 1500Ft. queimando querosene sobre a Anhanguera.

A área da Academia era muito grande, todas as áreas de instrução estavam livres, sabia que não havia ninguém por ali.

Naquele domingo só eu voava.

Próximo a Leme avistei-o.

Lá estava ele sobre Araras.

“Um lindo buraco azul no céu”

Segui nivelado  debaixo da camada de nuvens a quase 500Km/h e ao passar debaixo deu para ver que tratava-se de um buraco um tanto estreito e que acima tudo estava azul.

Iniciei uma curva de retorno para me encaixar num eixo melhor.

Alinhei a uma certa distancia, acelerei para 100% de potencia nas duas turbinas e fui em direção à ele.

Ele era muito estreito, não dava para subir num angulo normal sem entrar na nuvem.

Pensei comigo: ”…Ou eu subo nesse buraco ou volto para a Academia”.

Acabei passando de novo por baixo do buraco, arremetendo para uma nova curva de enquadramento, agora a 1000Ft de altura.

…Furo ou não furo?

Quer saber…

Lá vou eu…

Alinhei no melhor angulo e quando estava chegando debaixo, puxei o manche levando o jato para cima num angulo quase vertical com a Terra.

Sentia-me num foguete e como tal, saí no topo das nuvens, subindo num céu azul de doer os olhos.

Iniciei uma curva quebrando aquele angulo íngreme e lá em cima tudo estava limpo, o sol brilhava e o planeta era coberto por um tapete branco.

Comecei então a circular em torno do buraco, para não perdê-lo de vista, então pensei:

…Se eu ficar olhando esse buraco vou ficar o voo todo em volta dele, fiz uma curva, respirei fundo e subi para a altura do meu voo de treinamento sem olhar para trás.

….Até o fim do voo o céu vai abrir e não vai faltar buracos para descer; não resisti, dei uma ultima olhada  para ele e notei que de cima para baixo, o buraco era escuro e não azul.

Como dizia o Casimiro:

“Macho que é macho, não fica fazendo pergunta, nem se desculpando.”

Homem tem que ser durão!

Prossegui a minha missão como previsto e não olhei mais para baixo..

A 20.000Ft, o azul doía os olhos e o planeta era branco e assim se foram os minutos e quando estava próximo de uma hora de voo, decidi voltar.

A camada de nuvens que cobria a Terra não havia mudado nada e eu saí  fazendo curva atrás de um novo buraco para o retorno.

Olhei para um instrumento no painel chamado VOR, que aponta o destino quando selecionado com a frequência certa do local desejado, mas estava com outra frequência e eu não sabia qual era da Academia.

Também, não queria perguntar pelo radio para não dizer que eu estava “meio perdido”.

Para as novas gerações é preciso explicar que naquela época não existia GPS,

Voávamos ( VFR – Condições visuais) com bússola e mapa como os vikings e chineses navegavam.

Nessa hora sobre o lençol branco, concluí que eu estava no mato sem cachorro.

Antes de botar a boca no mundo reconhecendo a minha incompetência, resolvi procurar  mais um pouco.

Curva para lá, curva para cá e nada.

Recalculando o combustível eu tinha cerca de 30 minutos até secar os tanques, reduzi a potência para a máxima autonomia e continuei procurando.

Até que, lá no horizonte na direção Sul vi uma nuvem menos densa, mais transparente, quase como uma neblina e segui em direção à ela.

Realmente ao aproximar-me, confirmei que a camada estava mais rala e que já conseguia ver uma mistura de vegetação verde dos  campos com névoa branca.

Comecei a circular para observar melhor e escolher em qual angulo eu iria cruzá-la, pensei também que seria melhor reduzir a velocidade e descer em curva para não perder de vista o pouco de referencia que eu via.

E assim o fiz, desci no meio daquela nuvem transparente como quem entra no inferno em meio a fumaça.

Só faltava o Capeta do outro lado me esperando.

Respirei fundo, lembrei do Casimiro bravo e resolvi enfrentar a situação.

Segundos depois estava na parte de baixo da nuvem, mas não reconhecia o terreno.

“Graças a Deus”, pelo menos estava do lado de baixo.

Iniciei uma curva para a esquerda, acelerando novamente  e vi ao longe no horizonte uma cidade enorme, cheia de prédios.

…Meu Deus! Será que é São Paulo?

Só faltava essa…

Mais uns segundos observando e reconheci Piracicaba.

Ufa! Agora só tinha que achar a estrada que ligava à Anhanguera, tomar rumo Norte e rezar para o combustível dar.

Não foi difícil, logo estava sobre a Anhanguera a 1.000 Ft (300m) de altura, queimando querosene e voltando para casa.

Minhas orelhas estavam muito quentes quando avistei Pirassununga, enquadrei então a entrada do tráfego, sobrevoando o “Morro da Antena” e entrei no circuito como se tudo tivesse sido normal.

Nesse momento, a “Luz da Bruxa” (baixo nível de combustível) acendeu.

Eu tinha no máximo 10 minutos de autonomia para pousar, mas a partida estava ganha, mais 3 ou 4 minutos estaria pousando.

Fiz o circuito padrão de tráfego da Academia e com 01:25 hs de voo estava na final da pista 02 Central.

Sentia-me como um astronauta, freei o T37C, saí da pista e entrei no pátio de estacionamento, pensando:

…Só falta acabar o combustível agora.

O Casimiro estava de braços cruzados, me esperando.

Mal sabia ele o que eu tinha passado e eu é que não iria contar. (Só 30 anos depois)

Cortei os motores, abri o canopi (“capota”), desci do avião como se fosse um herói no retorno da batalha, coloquei o paraquedas nas costas e fui caminhando em direção ao hangar.

Ao cruzar com o Casimiro, ele me perguntou:

…Por que você atrasou 5 minutos?

…Me atrasei na entrada do tráfego.

Olhou bem nos meus olhos e disse:

…5 estrelas de multa para você!

…1 para cada minuto de atraso.

“Estrela” …Era a multa dada pelos instrutores aos alunos, que valia uma cerveja por estrela, a qual seria consumida pelo Esquadrão nos Churrascos dos final de semana.

Nunca uma “estrela” foi tão bem paga.

Eu fui o único e o ultimo a voar naquele dia.

“Deus tem piedade dos Inocentes”…

…e dos malucos também!

Compartilhe

Posts Relacionados

Social media & sharing icons powered by UltimatelySocial

ATENDIMENTO

Segunda a Sexta das 9h as 16h
contato@skyscience.com.br

Todos os Direitos Reservados