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Nunca vou esquecer minha primeira ida a SUN&FUN lá pelos idos de 80. A convite do meu amigo Custôdio Sampaio (hoje Diretor Social do Aeroclube de São Paulo), me juntei a uma galera bem heterodoxa de Pilotos de variadas experiências, sendo dois deles Comandantes da lendária VARIG, porém com AVGAS nas veias que nem o resto de nos: Luiz A. Vetorazzo e José G. Richieri.

Porque trago a tona esta lembrança? Porque nessa viagem selamos uma amizade que perdura até hoje e que constantemente nos faz compartilhar essa verdadeira paixão que temos por aeronaves antigas e clássicas e ainda mais se movidas por motores radiais.

Pois é, continuando, no fim de semana passado tive a honra e grande prazer de dividir o cockpit de um belíssimo Beechcraft D-17S – Staggerwing, o PR-GMF com nada mais nem nada menos que o próprio Cmte. Richieri, no voo de ensaio publicado nesta edição.

O curioso dessa história é que a dita aeronave, à época N4668N, veio voando dos EEUU pro Brasil, em maio de 2011, trasladada pelo Casal Carlos e Monica Edo.

Viagem iniciada em Tamiami (KTMB) no dia 19 sob um sol caribenho maravilhoso, transcorreu sem qualquer sobresalto até chegarmos na nossa última parada programada em Uberlândia, onde pernoitamos após jantarmos com nossos amigos Andrê e Evelyn Nery.

No dia seguinte, tanques cheios, DAT pago, Plan VFR no FL105, decolamos com Céu de Brigadeiro e ventinho de cauda para nos ajudar: destino Amarais.

Ingressando na Área da Academia, o Controle confirma que a área estava ativado, pedindo desvio a esquerda na proa de Poços de Caldas.

Meu Anjinho da Guarda me soprou no ouvido para evitarmos aquela rota cheia de morros e sem muitas alternativas, conselho que eu atendi na hora, pedindo desvio a direita proa de Araraquara. Como diria nosso saudoso Cel. Ribeiro Junior, SÁBIA DECISÃO!

Umas 40 milhas antes de Araraquara nova troca de tanque (o avião tem 5: dois nas asas superiores, dois nas inferiores e um na fuselagem, reservado para pouso e decolagem). Passam uns minutos e “Houston, we have a problem”: o motor morreu! Pensando na muito remota possibilidade de ter feito uma troca errada, trocamos para um 3º, depois 4º e por fim o da fuselagem e NADA. Pressão de gasolina zero, ou seja PANE SECA com mais de 300 litros a bordo.

Declarei emergência explicando sumariamente a circunstância e começamos a perder altura a bordo de um péssimo planador. Engraçado (se uma situação dessas pode ter graça) é que o Controlador, obviamente sem entender o que estava acontecendo me indagava: confirme o nível que vai manter! Eu respondia NENHUM, estamos em queda controlada!

Em tempo que procurava um lugar para pousar, pensava: como vou dizer ao Dono que, após ter completado quase 8.000 km de percurso, a apenas 100 km de casa, “nademo, nademo e se afoguemo na praia”. Enquanto isso, a Monica mandava na bomba manual extraindo as ultimas gotas do tanque do qual a seletora teimava em não querer sair e a cada gota o motor rateava, pegava por segundos e interrompia a descida. Ela ficou com a mão em bolhas.

Já tínhamos perdido mais de 5000 pés e a pista parecia tão pertinho, mas tinha um porém, a continuar na reta da mesma sobrevoaríamos a cidade inteira e se o pior acontecesse, seria sem dúvida fatal. Dura decisão de contornar a cidade, aumentando a distância e gastando nossos metros de altura, mas era a única chance de tentar sair “inteiros”

Quando já tinha decidido pousar na cana, a Monica conseguiu mais uma vez umas gotinhas escondidas e lá fomos nos pra pista. Quem conhece lá sabe: na lateral esquerda da pista 17 tem um arvoredo respeitável que para nos, pareceu um muro de concreto. Passamos lambendo as copas e ai optei por baixar o trem. Mais um MILAGRE, segundos após a luz verde, tocamos na pista com a hélice já calada e fomos recebidos efusivamente pelo pessoal do Aeroclube que nos acompanhava via fonia. Estupefatos pela nossa sorte, rebocaram nosso avião com um Jeep até o Pátio. Quando parou a tremedeira das minhas pernas, liguei para a AFA para informar nosso feliz pouso e, na sequência, para nosso querido amigo Ulisses que, de imediato montou na sua S-10 e veio de Boituva nos prestar auxilio.

O resto faz parte de outra história, mas que esta foi punk, foi punk!

 

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