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Ha cerca de 6 meses fui presenteado com um patrocínio para realizar um grande sonho, voar em um caça supersônico de alta performance e quebrar a barreira do som.

 

Por Christian Pires 

Então, comecei as pesquisas e, descobri que os voos de MiG-29 na Rússia estavam suspensos, e também na Thunder City, África do Sul, até que descobri o único lugar no mundo hoje, onde civis podem voar supersônico e esse lugar fica bem próximo, na Flórida, mais precisamente no Kennedy Space Center, berço da corrida espacial americana,  base de lançamento dos foguetes da NASA, USAF e Space X.

A Starfighters Space é uma empresa que possui nada menos que 8 F-104 Starfighter, detentor de vários recordes de altitude e velocidade, relíquia da guerra fria, um interceptador Mach 2, ou seja, capaz de voar duas vezes a velocidade do som. A empresa tem uma autorização especial da FAA para ministrar treinamento para turistas espaciais que no futuro irão voar em órbita, além de lançar microssatélites etc.

Entrei em contato por e-mail e no dia seguinte já recebi uma ligação de Piercarlo, um dos pilotos e operações da empresa, eu tinha muitas dúvidas de como proceder, uma vez que para voar lá, hoje, tem que ser no mínimo PP (Piloto Privado), com licença FAA, além de dispor de três dias, um para o treinamento, que envolve operação da aeronave, área a ser voada, emergências como ejeção e evacuação, fatores humanos em altas altitudes e carga “G”, aerodinâmica de alta velocidade, e um pequeno teste da aeronave.

Tiradas as dúvidas dei início ao processo que precisava de, no mínimo, 3 meses, para  convalidar minha habilitação para FAA, e autorização de acesso a área restrita do Cabo Canaveral, mais precisamente, Shuttle Landing Facility ou SLF, que simplesmente é a pista de pouso que a  NASA utilizou para pouso dos ônibus espaciais e outras de suas aeronaves.

Chegado o grande dia, o próprio pessoal da starfighters agendou minha entrevista com o FAA Officer afim de fazer a convalidação de minha carteira e emitir uma habilitação de PP provisória as 7:45 da manhã.

Ao meio dia eu deveria me encontrar com o simpático Rick Svetkoff, proprietário e CEO da empresa, ex piloto da marinha americana e ex Cmt. da United Airlines, na NASA Badge Facility, afim de fazer meu crachá e ter acesso ao hangar, feito isso dirigi mais cerca de 10 minutos até a base de operações e hangar da Starfighters e lá já me deparei com oito F-104, dos quais 6 estão homologadas para voo, além de alguns helicópteros da própria NASA, UH-1H Huey.

Rick me mostrou tudo que tinha por lá, motores sobressalentes, me apresentou ao Staff, equipe de manutenção etc e em seguida fomos ao escritório começar os trabalhos, ganhei três apostilas com material sobre o voo, aeronave e assento ejetável, tive uma aula sobre a aeronave, suas características, experimentei o traje de voo, de sobrevivência, anti-G, capacete e máscara de oxigênio, além de treinar me “amarrar” no assento etc.

No dia seguinte, coincidentemente dia 23 de outubro, dia do aviador, me encontrei novamente com Rick no mesmo lugar, as 9:00, desta vez para credenciamento da minha mulher, que iria acompanhar o voo.

Ao chegar no hangar fui apresentado pessoalmente à Piercarlo, ex piloto da força aérea Italiana, que voaria comigo, fizemos um briefing de todo o voo, meteorologia, que não estava das melhores no dia, horário de início do voo, devido à janela de NOTAM do espaço aéreo reservado para nós, manobras que iríamos realizar, sinais em caso de contingência e emergência, área a ser voada, além da sessão de fotos para uma revista na ala de um T-33 Shooting Star.

Pus meu traje de voo e fomos para o lindo e reluzente TF-104G-M (c/n 5212 MM54261) – “N992SF” o modelo mais recente de fabricação italiana.

Tudo pronto, Pier e eu já devidamente “ vestidos ” no avião fomos rebocados para fora do Hangar, conectado na LPU e prontos para partida.

O som do General Electric J79 é ensurdecedor, mas incrível.

Pier chama a NASA tower que já nos dá autorização de táxi, alinhamento e decolagem na RWY 33, ele me dá o táxi e a decolagem que é feita em dois steps de potência, primeiro Military e depois AB (after burner), que é realmente um chute nas costas, literalmente.

Rotate com 180 kt mais ou menos, pitch 8°, e com aproximadamente 195, vlof.

Após decolagem curva à esquerda entra no circuito a 2000 ft, passagem baixa com subida vertical, chega em 18000 ft em 15 segundos com aproximadamente 4,5 g’s.

Depôs seguimos para a área Restricted Airspace R-2934, subindo para 35000, onde fizemos o Mach run, chegando a Mach 1,3, com curvas para ambos os lados, os comandos ficam um pouco mais pesados , mas a aeronave responde muito bem.

Em seguida touneau de aileron para ambos os lados, vem de aproximadamente 450 kt, depois três touneaus barril, finalizando com looping feito pelo Pier, manobra “longa” que exige muito, inicia a manobra com 550 Kt e tem-se que configurar TO flap no início da subida com 400 Kt e retirar no término, puxa muito G.

Em seguida fomos ao randevus com o T-33 para a missão de fotos Air-to-Air. Voamos na ala por alguns minutos, agora com o Pier no comando novamente e em seguida Voltamos para SLF, desta vez rwy 15 onde fizemos três circuitos de tráfego dois com arremetida e passagem baixa e um com pouso completo.

Perna do vento com 250 Kt, e base para a final com 195, aproximação com cerca de 180 Kt e toque com 170 Kt, o flare se inicia a cerca de 200 ft, isso mesmo, mas o avião vem na atitude.

Pouso tranquilo e sem drag chute, na 15.

Pista de 4550 m X 90 m de concreto e com grooving.

Ao final ganhei um certificado e ficou em minha memória a melhor experiência de minha vida.

 

 

 

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