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Copa do Mundo de Futebol! Bandeiras desdobradas, camisetas verde-amarelas, milhares de propagandas “nacionalistas” na TV, todas vendendo o tema futebol. A impressão que temos é que, de repente, todos se tornaram “patriotas” em um país sem problemas.

Contudo, depois de algumas semanas de euforia, assim que o juiz apita o fim do jogo de decisão, o sonho se desfaz como fumaça e tudo volta ao normal: a vida volta a ser vivida em um país chamado Brasil, onde ainda são necessários milhões de profissionais produtivos com empregos de verdade (aqueles em que a pessoa trabalha todos os dias e recebe por isso, pelo seu trabalho), onde falta condições mínimas de educação para todos, onde professores são desrespeitados de todas as formas, onde existe corrupção em todos os níveis do serviço público, onde pessoas são tratadas (ou não) nos corredores dos hospitais, onde o bandido tem mais direito que as pessoas que trabalham e obedecem as leis, onde temos medo de caminhar pelas ruas, onde, como dizia Ruy Barbosa, “o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto”.

E aí, de repente, percebemos que este ano tem eleições no país. Temos que escolher milhares de “representantes do povo” para a próxima legislatura.

Enquanto a Copa acontecia, políticos preparavam as campanhas com frases e discursos conhecidos. Cansados de tanto ouvir a mesma coisa e ver outro resultado, a maioria simplesmente ignora as campanhas e os horários políticos, não faz nenhuma pesquisa séria sobre os fatos e a vida dos candidatos, não sabe nem sequer quem são os candidatos, e vai fazer outra coisa, como, por exemplo, enrolar as bandeiras, guardar as camisetas e suspirar pela próxima Copa do Mundo: “quem sabe na próxima…”

E no dia seguinte, o despertador, o trânsito impossível, o trabalho sem futuro, a conversa fiada, mais trânsito, o sangue nos jornais, a prece para não se tornar parte do sangue dos jornais do dia seguinte, o e-mail com absurdos no país, o compartilhamento de sua indignação no “facebook”, a sensação de que “cumpriu a sua parte”, o sono rotineiro e, assim, a vida vai passando.

O dia da eleição chega rápido. O cidadão vai cumprir o seu dever eleitoral. Parado diante de uma máquina colorida tenta lembrar do número de algum candidato. Nada vem à cabeça, já que pouca atenção foi dada ao assunto. Pensa: “se fosse um dos jogadores da seleção, eu saberia o número de cor e salteado! Mas esses políticos! Ah, são todos iguais! Todos corruptos e ladrões! Vou votar em qualquer um, ou em branco! Aí vai…”

No ano seguinte, independente da sua decisão “inteligente” no voto, lá estarão no Congresso mais de 500 deputados e mais de 80 senadores, além de centenas de deputados estaduais, dezenas de governadores e um Presidente. Todos eleitos pelo voto democrático, inclusive o seu.

  1. Mas você não participou da escolha. Você preferiu colocar a responsabilidade na mão dos outros e até se sente orgulhoso por isso quando recomeçam os absurdos de leis “sem pé nem cabeça” aprovadas (e você, como todos os outros brasileiros, terá que obedecer a todas elas!).

Agora indignado, você participa das manifestações nas ruas convidado por amigos. Você grita contra os políticos que você não quis se dar ao trabalho de escolher e acha que isso é o certo. Um pensamento estranho invade sua mente: “quem sabe se eu tivesse prestado um pouco mais de atenção e votado em alguém sério e competente? Talvez o meu voto faria diferença e ele ou ela seria eleito(a)?”.

Logo o ego o consola: “que nada! O que um voto, ou uma pessoa, podem fazer de diferença nessa bagunça?”.

E você se ilude que tomou a decisão correta na preguiça de pesquisar candidatos e em se acovardar de participar da escolha.

Se essa situação toda lhe parece comum, você não está sozinho, e não é à toa que temos o país que temos hoje. A culpa é nossa, a culpa é sua!

Você é brasileiro, de verdade, ou apenas no efêmero período da Copa do Mundo, na ilusão de que o Brasil deve ser feito pela responsabilidade de outros, de que você “faz a sua parte em não fazer nada”?

Protestar nas manifestações do resultado do voto burro também não é um comportamento inteligente. Basta pensar um pouco.

Pense na raiz do problema, no que pode ser feito para mudar a cara da política no Brasil.

E se você se achar insignificante nesse processo todo de mudança política do Brasil, lembre-se de Gandhi: “Qualquer coisa que você fizer será insignificante, mas é muito importante que você faça a sua parte”. Use o seu voto, compartilhe cidadania. Agora é a hora de “agir”. Pesquise fatos. Existem opções inteligentes!

 

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